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O CÂNCER DO COLO UTERINO PODE SER EVITADO


São Paulo, 15 de fevereiro de 2005 - Estima-se que aproximadamente 20 milhões de brasileiros tenham o vírus HPV (papilomavírus humano), que é a doença sexualmente transmissível mais incidente no País. Aproximadamente sete em cada dez pessoas com vida sexual ativa já entraram em contato com o HPV (papilomavírus humano). Após o contágio, o vírus permanece “adormecido”, isto é, sem apresentar sintomas, por um período indeterminado (mínimo de dois meses podendo chegar a vários anos); por isso a maioria das pessoas que adquire a infecção nem desconfia disso. Apesar de o organismo eliminar o vírus espontaneamente na maior parte dos casos, em outros indivíduos, o HPV pode provocar o aparecimento de verrugas genitais ou ainda causar lesões precursoras do câncer de colo do útero, vulva, pênis e ânus.

“O fato de estar infectada pelo HPV não quer dizer que a mulher terá câncer do colo do útero”, afirma a doutora Cíntia Parellada, médica colaboradora do setor de Patologia do Trato Genital e Colposcopia do Hospital das Clínicas. “ A maioria da população sexualmente ativa (cerca de 75%) entre em contato com o HPV e elimina espontaneamente o vírus do organismo sem mesmo desenvolver qualquer doença. Menos de 3% corre o risco de ter câncer do colo do útero. Além do mais, a infecção pelo HPV não se transforma em câncer do colo do útero de um dia para outro, por isso não existe motivo para desespero e angústia. Quando o HPV causa lesão no colo do útero, esta lesão passa por três etapas antes de se transformar em câncer. O tratamento nestas etapas cura completamente a doença e impede a progressão para câncer, além de não interferir na capacidade de ter filhos da mulher, diz a médica.

Apesar do câncer do colo do útero ser uma das doenças mais bem estudadas mundialmente e poder ser completamente prevenida através do exame preventivo e tratamento precoce, ainda existem mulheres que desenvolvem este tipo de câncer e, pior ainda, morrem por esta doença no Brasil. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), apenas no ano de 2003, 4.110 mulheres morreram de câncer do colo do útero e 16.480 mulheres foram diagnosticadas inicialmente com esta doença. No estado de São Paulo ocorreram 860 óbitos e 3810 novos casos.

Infelizmente, a desinformação e a falta de prevenção, somados a vergonha e ao medo de ir ao ginecologista ajudam a manter estas estatísticas. Com o objetivo de melhorar as informações para o público leigo, o capítulo de São Paulo da Associação Brasileira de Genitoscopia(SBPTGIC) está disponibilizando em sua home page www.colposcopiasp.org.br, informações gerais para a população em geral sobre HPV e prevenção do câncer do colo. “A capacitação profissional é muito importante para o correto diagnóstico e tratamento da infecção por HPV e lesões induzidas pelo HPV”, esclarece Dra Marcia Cardial, presidente do capítulo de São Paulo. “O intuito do capítulo de São Paulo da SBPTGIC é fortalecer a formação de profissionais médicos através de cursos de atualização e reciclagem periódicos. Os médicos só obtêm o título de qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia por esta Sociedade se passarem em prova de conhecimentos téoricos e práticos sobre o assunto”, acrescenta a doutora.

Prevenção

Exame Preventivo: O exame preventivo do câncer do colo do útero - conhecido popularmente como exame de Papanicolaou consegue reduzir em até 70% a mortalidade por câncer do colo do útero. Toda a mulher que têm ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico. O colo do útero é raspado com uma espátula e o material coletado (células) é colocado em uma lâmina de vidro. Este material recebe uma preparação especial e é lido por um médico citologista. A fim de garantir a eficácia dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais locais nos dois dias anteriores ao exame e não submeter-se ao exame durante o período menstrual.

Colposcopia: É um exame onde se utiliza um aparelho de aumento (aumento de 6 a 40X) – o COLPOSCÓPIO - que permite identificar com precisão o local e a extensão da doença do colo uterino e vagina. Para se realizar este exame utiliza-se dois corantes que são o ácido acético e o lugol (solução de iodo forte). Se houver alterações no epitélio, estes dois corantes fazem com que apareçam imagens características, que serão biopsiadas e encaminhadas para exame histológico (também chamado anatomopatológico). O exame da vagina (vaginoscopia) está incluído dentro de exame da colposcopia. Se houver associação do Papanicolaou com a colposcopia, a detecção da lesão ocorrerá em praticamente 100% das vezes. O Papanicolaou é um método de screening ou rastreamento, identifica a alteração, porém não diz onde ela está (em outras palavras, e como o telefone fixo que toca, mas não consegue identificar a chamada). A colposcopia é mais precisa, ela localiza a lesão (é como se fosse um bina de telefone, identificando o local da chamada).

Vulvoscopia: É o exame onde se utiliza um aparelho de aumento (aumento de 6 a 40X) – O COLPOSCÓPIO - que permite identificar com precisão o local e a extensão da doença da vulva. Para se realizar este exame utiliza-se dois corantes que são o ácido acético e azul de metileno. Se houver alterações no epitélio, estes dois corantes fazem com que apareçam imagens características, que serão biopsiadas e encaminhadas para exame histológico (também chamado anatomopatológico).

Biópsia: É a retirada de um pequeno pedaço de tecido doente para análise das alterações celulares sob o microscópio.

Histologia, exame histológico ou anatomopatológico (vulgo AP): É a análise das alterações celulares sob o microscópio de pedaços de tecidos (retirados por biópsia).

Citologia, exame citológico ou esfregaço: É a análise das alterações celulares sob o microscópio de células provenientes de raspados de epitélio.

Sobre o Capítulo de São Paulo – Associação Brasileira de Genitoscopiapor Associação Brasileira de Genitoscopia

Trata-se de sociedade civil e científica, sem quaisquer fins lucrativos, que tem como propósito a educação e disseminação do conhecimento pertinente à colposcopia e ao diagnóstico e conduta nas doenças do trato genital inferior. Seus membros efetivos são constituídos por médicos qualificados em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. Esta Sociedade colabora com o governo e instituições não-governamentais na prevenção do câncer ginecológico, estabelecendo ainda relações científicas com sociedades similares nacionais e internacionais.

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Última data de atualização 29/05/2008